ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO (ECOS DE LADISLAU DAWBOR)
Quando penso na organização do espaço onde habitamos, percebo o quanto esta organização é centralizada, ditada pelo poder econômico elitista. Tal poder esmaga a população, criando o sofisma de que não há “capacidades técnicas” que viabilizem as decisões locais. Democratizar as decisões, porém, significa descentralização do poder, ou mesmo uma nova forma de entendê-lo. Será que não desejamos, acima de tudo, a simplicidade nas decisões de como desejamos viver? A humanização do desenvolvimento econômico e social prescinde da participação popular nas decisões. O planejamento descentralizado permite o pronunciamento antecipado sobre os fatos em vias de realização. Constitui um direito e é um dever de cada cidadão desse Planeta.
Mobilizar as "cabeças pensantes" de cada localidade por meio da criação de centros de estudos ou algo parecido que possa ser capaz de discutir in loco os problemas enfrentados pelo município e região, num nível de organização que permita o desenvolvimento de pesquisas; que possibilite a criação de um núcleo capaz de conhecer o município, articulado com as forças políticas locais. A educação ocupa um papel fundamental, no sentido de capitalizar esse tipo de trabalho, por meio, por exemplo, do incentivo às escolas, de forma a levar os alunos a trabalhar e realizar pesquisas sobre a realidade local, concreta. Introduzir no planejamento curricular uma disciplina que trate das possibilidades econômicas concretas do município e seja formadora de opiniões, de cidadãos interessados no dia-a-dia de sua localidade, aptos a intervir e transformar o seu espaço geográfico, rompendo o imobilismo característico das cidades interioranas. Uma geração de jovens, conhecedores de sua própria realidade, que produza material didático contextualizado, que não aceite os discursos oficiais distantes, pode significar um grande avanço.
A descentralização das decisões, de como deve ser organizado o nosso espaço local, de como devemos intervir para transformá-lo, passa por uma grande revolução nos modos pelos quais entendemos o poder, e com ele nos relacionamos. A Metrópole, enquanto uma idéia, se agiganta, formando uma teia que nos engole, nos despersonaliza, nos sufoca, retirando nosso direito de decidir sobre as questões mais fundamentais e humanas de nossas vidas. Os poetas mineiros da Inconfidência já sentiam esse monstro tomar corpo na época do Brasil-Colônia, e previam, de certa forma, sua nefasta reprodução como modelo econômico por todo o globo. Não podemos mais continuar aceitando as barbaridades praticadas em nome da liberdade e dos interesses do Estado, ou acreditar nos extremistas que se levantam bizarramente com suas flâmulas antiquadas, todas as vezes que desenhamos formas mais humanas de desenvolvimento.
O desenvolvimento caótico requer novas medidas, novas formas, novos padrões e paradigmas, que reconheçam a pluralidade cultural, e valorizem as diferenças regionais. Não podemos mais aceitar que os meios de comunicação de massa monopolizem o pensamento humano em torno de suas estreitas e limitadas visões, ou continuem captando os olhares para seus próprios interesses, desconhecendo a grande diversidade que caracteriza os agrupamentos humanos. Está na hora de criarmos em nossas comunidades espaços para o debate público das questões urgentes que nos instigam e preocupam. Viver com qualidade real engloba todas as faces, todos os aspectos da nossa inteireza, enquanto seres dotados de razão, mas, donos de profundas emoções e delicados sentimentos, sendo, portanto, um direito de todos nós.
Mobilizar as "cabeças pensantes" de cada localidade por meio da criação de centros de estudos ou algo parecido que possa ser capaz de discutir in loco os problemas enfrentados pelo município e região, num nível de organização que permita o desenvolvimento de pesquisas; que possibilite a criação de um núcleo capaz de conhecer o município, articulado com as forças políticas locais. A educação ocupa um papel fundamental, no sentido de capitalizar esse tipo de trabalho, por meio, por exemplo, do incentivo às escolas, de forma a levar os alunos a trabalhar e realizar pesquisas sobre a realidade local, concreta. Introduzir no planejamento curricular uma disciplina que trate das possibilidades econômicas concretas do município e seja formadora de opiniões, de cidadãos interessados no dia-a-dia de sua localidade, aptos a intervir e transformar o seu espaço geográfico, rompendo o imobilismo característico das cidades interioranas. Uma geração de jovens, conhecedores de sua própria realidade, que produza material didático contextualizado, que não aceite os discursos oficiais distantes, pode significar um grande avanço.
A descentralização das decisões, de como deve ser organizado o nosso espaço local, de como devemos intervir para transformá-lo, passa por uma grande revolução nos modos pelos quais entendemos o poder, e com ele nos relacionamos. A Metrópole, enquanto uma idéia, se agiganta, formando uma teia que nos engole, nos despersonaliza, nos sufoca, retirando nosso direito de decidir sobre as questões mais fundamentais e humanas de nossas vidas. Os poetas mineiros da Inconfidência já sentiam esse monstro tomar corpo na época do Brasil-Colônia, e previam, de certa forma, sua nefasta reprodução como modelo econômico por todo o globo. Não podemos mais continuar aceitando as barbaridades praticadas em nome da liberdade e dos interesses do Estado, ou acreditar nos extremistas que se levantam bizarramente com suas flâmulas antiquadas, todas as vezes que desenhamos formas mais humanas de desenvolvimento.
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