ecosdelonge

Um diário fractal, de pensamentos não lineares, múltiplos, idéias que vêm de longe e ecoam no espaço virtual, ecos fragmentados de mil pensamentos que proliferam na minha horta particular, onde não há monoculturas. Esse blog, um jardim onde "mato" também pode ser "flor"! Um sítio arqueológico, uma galáxia ou... apenas uma pétala da Rosa de Hiroshima exalando o perfume da Vida que renasce sempre, apesar de todos!

Friday, September 09, 2005

ÁGUA
É quase ao entardecer, e as tintas do céu vão do ocre ao rubro; uns filetes de nuvens decoram o sol.
Uma trilha sinuosa se bifurca; sobe a montanha.
Perde-se entre as rochas coroadas de florezinhas índigo.
Há um espasmo longo das horas.
Pareço em êxtase; avisto um vale longe, onde há uma colina.
Paro na bifurcação e ouço o rugido das águas se despencando arrojadamente.
Penso: "ah! as águas não temem a queda! Como são fluidas e leves"! Qual asas de borboletas, as delicadas gotinhas saltam contra as rochas. Orgásmicas, pulsam!
Gotículas, fractais de luz, pulsares, cantam ruidosamente, milhões, descendo juntas pelo penhasco... e depois?
"Ora, vejam, o que encontro? Um veiozinho d'água numa fonte mais abaixo... e como é mansinho, fresco e doce"!
"Sabe, Águia da Floresta, você que voa tão alto, acima dessa alta montanha, que lhe parece a doce água que teu bico bebe"?
"Ah! ... que bom! Estar aqui... Isso é prece contínua! Meditação"! Toco de leve a pluma da água e bebo.
Tão pura!! Que bom... Lentamente... dispo-me; caminho até a cascata. Deixo-me banhar.
Um resto de sol põe rosas na cachoeira.

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